segunda-feira, 6 de agosto de 2012
quinta-feira, 20 de janeiro de 2011
Minas possui 151 produtores de cachaça certificados
O Instituto Mineiro de Agropecuária (IMA) concluiu a certificação de 151 produtores de cachaça de alambique em 2010. Até o fim de 2008, apenas 10 produtores tinham o selo e 54 estavam em processo de certificação. Em 2009, já chegavam a 107 produtores.
O programa de certificação de produtos agropecuários e agroindustriais do IMA é voltado para produtores de cachaça produzida artesanalmente, com fermento natural e destilada em alambique de cobre. A certificação é de adesão voluntária e o interessado em participar deve procurar um dos escritórios do instituto para receber as orientações necessárias.
No momento de requerer a certificação, o produtor pode optar por três sistemas produtivos da cana: o sistema orgânico, o sem agrotóxicos e o sistema tradicional. No primeiro, a cana deve ser cultivada sem agrotóxico e adubo químico. No segundo, não pode haver aplicação de agrotóxicos e o uso do adubo químico é permitido. E no tradicional é permitido o uso de agrotóxicos e adubos químicos indicados para a cultura, dentro dos parâmetros agronômicos prescritos.
SISTEMA ORGÂNICO
Das 151 cachaçarias certificadas, 18 optaram pelo sistema orgânico, duas pelo sistema sem agrotóxico e as demais pelo sistema convencional.
O diretor-geral do IMA, Altino Rodrigues Neto, explica a importância de ter um produto certificado.
- O programa de certificação de cachaça facilita a entrada da bebida em novos mercados, aumenta a competitividade dos produtores, garante sua qualidade e propicia boas opções aos consumidores - afirma.
As cachaçarias são certificadas segundo o processo de produção e fabricação usado, atendendo para os procedimentos de boas práticas de produção, adequação social e responsabilidade ambiental. As cachaçarias passam a ter o direito de uso do certificado, da marca de conformidade e dos selos de certificação oficiais do Estado de Minas Gerais, que são adesivados nas garrafas.
ACREDITAÇÃO
Em 2009, o IMA alcançou a condição de Organismo Certificador de Produto (OCP), com chancela do Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial (Inmetro). A conquista representa o reconhecimento da competência técnica da instituição para certificar cachaças industriais e artesanais.
Esta acreditação possibilitou que o IMA certificasse, em 2010, nove marcas de cachaça, com 100% de avaliação de conformidade.
domingo, 7 de novembro de 2010
CURSO DE CACHAÇA
1.
Como objetivo: ensinar na teoria e na prática todas as etapas da produção de cachaça de melhor qualidade produzida artesanalmente, enfatizando a fermentação e produção da bebida.
2.
Público: Alambiqueiros, proprietários e futuros proprietários de alambiques, responsáveis técnicos e apreciadores de cachaça, que queiram ampliar seus conhecimentos técnicos e práticos sobre a produção de cachaça.
Informações
Grupo Cana Brasil - Centro de Tecnologia em Cachaça - CTC
Tel.: (31) 2535-2228
canabrasil@canabrasil.com.br
sábado, 2 de outubro de 2010
Pinga, cachaça, branquinha, marvada…
São inúmeros os apelidos para esse produto originalmente brasileiro, que possui seu nome registrado como CACHAÇA DO BRASIL. Maior ainda é a quantidade de marcas e tipos de cachaça. Cada um escolhe a preferida, agradando o paladar e o bolso também.
Mas como degustar uma boa cachaça? Virando o copo na goela, e batendo forte na mesa? É pode ser, mas se você não tiver com pressa siga as dicas abaixo para escolher o produto que mais lhe agrada.
sábado, 4 de setembro de 2010
INICIO DA CACHAÇA
A cana-de-açúcar, elemento básico para a obtenção, através da fermentação, de vários tipos de álcool, entre eles o etílico. É uma planta pertencente à família das gramíneas (Saccharum officinarum) originária da Ásia, onde teve registrado seu cultivo desde os tempos mais remotos da História.
Os primeiros relatos sobre a fermentação vem dos egípcios antigos. Curam várias moléstias, inalando vapor de líquidos aromatizados e fermentados, absorvido diretamente do bico de uma chaleira, num ambiente fechado.
Os gregos registram o processo de obtenção da ácqua ardens. A Água que pega fogo - água ardente (Al Kuhu).
A água ardente vai para as mãos dos Alquimistas que atribuem a ela propriedades místico-medicinais. Se transforma em água da vida. A Eau de Vie é receitada como elixir da longevidade.
A aguardente então vai para da Europa para o Oriente Médio, pela força da expansão do Império Romano. São os árabes que descobrem os equipamentos para a destilação, semelhantes aos que conhecemos hoje. Êles não usam a palavra Al kuhu e sim Al raga, originando o nome da mais popular aguardente da Península Sul da Ásia: Arak. Uma aguardente misturada com licores de anis e degustada com água.
A tecnologia de produção espalha-se pelo velho e novo mundo. Na Itália, o destilado de uva fica conhecido como Grappa. Em terras Germânicas, se destila a partir da cereja, o kirsch. Na Escócia fica popular o Whisky, destilado da cevada sacarificada.
No extremo Oriente, a aguardente serve para esquentar o frio das populações que não fabricam o Vinho de Uva. Na Rússia a Vodka, de centeio. Na China e Japão, o Sakê, de arroz.
Portugal também absorve a tecnologia dos árabes e destila a partir do bagaço de uva, a Bagaceira
Os portugueses, motivados pelas conquistas espanholas no Novo Mundo, lançam-se ao mar. Na vontade da exploração e na tentativa de tomar posse das terras descobertas no lado oeste do Tratado de Tordesilhas, Portugal traz ao Brasil a Cana de Açúcar, vindas do sul da Ásia. Assim surgem na nova colônia portuguesa, os primeiros núcleos de povoamento e agricultura.
Os primeiros colonizadores que vieram para o Brasil, apreciavam a Bagaceira Portuguesa e o Vinho d'Oporto. Assim como a alimentação, toda a bebida era trazida da Corte. Num engenho da Capitania de São Vicente, entre 1532 e 1548, descobrem o vinho de cana de açúcar - Garapa Azeda, que fica ao relento em cochos de madeiras para os animais, vinda dos tachos de rapadura. É uma bebida limpa, em comparação com o Cauim - vinho produzido pelos índios, no qual todos cospem num enorme caldeirão de barro para ajudar na fermentação do milho, acredita-se. Os Senhores de Engenho passam a servir o tal caldo, denominado Cagaça, para os escravos. Daí é um pulo para destilar a Cagaça, nascendo aí a Cachaça.
Dos meados do Século XVI até metade do Século XVII as "casas de cozer méis", como está registrado, se multiplicam nos engenhos. A Cachaça torna-se moeda corrente para compra de escravos na África. Alguns engenhos passam a dividir a atenção entre o açúcar e a Cachaça.
A descoberta de ouro nas Minas Gerais, traz uma grande população, vinda de todos os cantos do país, que constrói cidades sobre as montanhas frias da Serra do Espinhaço. A Cachaça ameniza a temperatura.
Incomodada com a queda do comércio da Bagaceira e do vinho portugueses na colônia e alegando que a bebida brasileira prejudica a retirada do ouro das minas, a Corte proíbe várias vezes a produção, comercialização e até o consumo da Cachaça.
Sem resultados, a Metrópole portuguesa resolve taxar o destilado. Em 1756 a Aguardente de Cana de Açúcar foi um dos gêneros que mais contribuíram com impostos voltados para a reconstrução de Lisboa, abatida por um grande terremoto em 1755.
Para a Cachaça são criados vários impostos conhecidos como subsídios, como o literário, para manter as faculdades da Corte.
Como símbolo dos Ideais de Liberdade, a Cachaça percorre as bocas dos Inconfidentes e da população que apoia a Conjuração Mineira. A Aguardente da Terra se transforma no símbolo de resistência à dominação portuguesa.
Com o passar dos tempos melhoram-se as técnicas de produção. A Cachaça é apreciada por todos. É consumida em banquetes palacianos e misturada ao gengibre e outros ingredientes, nas festas religiosas portuguesas - o famoso Quentão.
No século passado instala-se, com a economia cafeeira, a abolição da escravatura e o início da república, um grande e largo preconceito a tudo que fosse relativo ao Brasil. A moda é européia e a cachaça é deixada um pouco de lado
Em 1922, a Semana da Arte Moderna, vem resgatar a brasilidade. No decorrer do nosso século, o samba é resgatado. Vira o carnaval. Nestas últimas décadas a feijoada é valorizada como comida brasileira especial e a Cachaça ainda tenta desfazer preconceitos e continuar no caminho da apuração de sua qualidade.
Hoje, várias marcas de alta qualidade figuram no comércio nacional e internacional e estão presentes nos melhores restaurantes e adegas residenciais pelo Brasil e pelo mundo
sábado, 7 de agosto de 2010
A Cachaça Mais Cara do Mundo
O produtor Anisio Santiago, já falecido, é, até hoje, uma espécie de lenda em Salinas (MG). Em 1946 iniciou em sua fazenda a produção de cachaça. Jamais se preocupou em aumentar a sua produção, satisfazendo-se com 8.000 litros por ano, devidamente envelhecidos por dez anos, em média, em tonéis de madeira. Conta-se que Anísio Santiago pagava os empregados com garrafas de cachaça. Devido à pequena tiragem, a oferta era inversamente proporcional ao desejo de compra dos apreciadores. Por isso, a porteira da fazenda Havana vivia infestada de interessados em adquiri-la no “mercado-negro”.
E assim tem sido nas últimas décadas. No câmbio oficial, a cachaça só é vendida pelo alambique e custa cerca de R$ 160,00, mesmo preço dos melhores uísques escoceses 12 anos. Até hoje a fazenda permanece fiel às suas origens. Produz pouca cachaça e a vende diretamente aos interessados. “Nada foi mudado, mas essa história de pagar empregado com pinga é lenda”, revela um dos herdeiros e administrador da fazenda.
Em toda sua vida (morreu com 91 anos), Anísio nunca tivera qualquer pendência na Justiça. A cassação da marca Havana o indignou. Ele retirou os rótulos de todas as garrafas do estoque, que seriam substituídos por outros, com seu próprio nome. Não sobrou uma Havana. As que já estavam no comércio viraram raridade.
A Feira da Cachaça, uma distribuidora com sede em Salinas, que vende pela internet, tem algumas garrafas de Havana à venda. Preço: R$ 250,00. Também dispõe da Anísio Santiago (que é a mesmíssima aguardente, só muda o rótulo) por R$ 140,00. "As Havanas conseguimos com colecionadores", diz Melissando Norgueira, da Feira. As Anísio vêm em conta-gotas. "Só nos vendem duas garrafas por semana." Muitos moradores de Salinas guardam garrafas com a marca Havana. Alguns, na expectativa de uma ocasião especial para abri-las, outros, à espera de valorização e do interesse de colecionadores.
sábado, 17 de julho de 2010
CACHAÇA: DA SENZALA À CASA GRANDE, DO BOTECO AO REQUINTADO
Um copo de vidro é posto em cima do balcão de um botequim qualquer do bairro mais popular da cidade. A mão suja e grosseira leva o copo à boca seca e devolve-o com a mesma força daquele gole que desce rasgando a garganta. Essa visão estigmatizada de quem bebe cachaça está descontextualizada da realidade atual. Considerada uma verdadeira especiaria nos restaurantes contemporâneos da alta gastronomia do país e do mundo, a bebida que nasceu pelas mãos dos escravos virou símbolo de brasilidade.
Quem disse que cachaça é água?
Malvada, dengosa, pinga, remédio, suada, danada, imaculada ou, para os gringos, o mais sem graça de todos os nomes: “Brazilian Rum” (rum brasileiro). Apesar de tantas opções (são mais de 400 sinônimos e denominações populares), não teve jeito. A aguardente, que é feita a partir da cana-de-açúcar, foi patenteada em 2003 e desde então não pode atender por outro nome mundo afora que não seja cachaça. Mas para chegar até este importante acontecimento na história da iguaria em questão, o mundo deu muitas voltas.
Genuinamente nacional, nasceu no início da colonização do Brasil, entre os anos de 1530 e 1550. A sua história começa como um acidente de percurso nas casas de engenho. Os escravos responsáveis pela produção da rapadura acabavam, às vezes, perdendo o ponto do caldo, o qual fermentava. A cagaça, nome do tal líquido, era resultado do trabalho braçal de moer a cana. Uma vez fermentado, tornava-se, muitas vezes, lixo. Outras tantas, no entanto, numa bebida que estimulava os negros – embora a corte portuguesa repudiasse tal liberdade, temendo as fugas. Na verdade, como todo bom acontecimento, essa é só uma das versões. Outra, menos conhecida, atribui a invenção da imaculada aos homens livres.
Mas, seja qual for, não dá para negar: o sucesso foi inevitável. De primeira, aconteceu nas senzalas e nas festas mulatas. Depois, caiu no gosto dos senhores de engenho. Já era a hora de substituir o vinho do porto. A produção cresceu. E mais: filtração e destilação foram etapas acrescentadas ao processo. A fermentação ganhou novos modos de preparo. A cachaça, novos apreciadores. Enfim, os olhos de empreendedores enxergavam um futuro lucrativo naquela brincadeira nascida no quintal de casa. Era um bom negócio: graduação de 38% a 54% de álcool etílico, em volume, a 20°C, podendo ser adicionada de açúcares até 6 g por litro, expressos em sacarose. Tais propriedades chamavam a atenção de clientes a apreciadores.
A pinga saiu do botequim e foi, aos poucos, conquistando as mais finas mesas do mundo. Alemanha, Portugal, Estados Unidos, Itália e Paraguai formam o grupo de maiores importadores de aguardente da cana. Ganhou tanto respeito que já foi servida em várias reuniões internacionais e eventos de toda espécie pelo mundo afora. Tem, inclusive, o aval do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. “O dia que o mundo experimentar a boa cachaça brasileira, o uísque vai perder mercado”, comentou certa vez à imprensa.